28/12/2008

I am the walrus

Tinha dezoito anos. Subi a rua do Carmo, com um amigo meu. Perguntámos se podíamos ouvir. Nem um nem outro tínhamos dinheiro para comprar. O empregado tirou o disco. Era um duplo álbum. Um duplo álbum dois discos de quarenta e cinco rotações, em formato EP. Quem sabe hoje o que isso significa? Colocou no prato, a agulha em diamante a girar, as espirais brilhando. Partilhámos os auscultadores, as faces incendiadas de emoção. Que a do meu gira-discos - ah! que palavra esta... - era de safira!
Ainda hoje recordo. Uma música estranha, estupenda, vinda do fundo dos mares, das tripas da terra, uma música carregada de tudo quanto eu julgava que era um mundo de diferença, de revolvente diferença. Foi. E o que foi se nos retorna como esperança de futuro. Ouvi-a há minutos, aqui.